Sábado, Junho 02, 2012

0297 - Hey Jude - Kiko Zambianchi [1989]

Muitas versões já foram feitas dos Beatles. Na década de 1960, como já expus num post meu aqui, era comum bandas brasileiras fazerem versões para as músicas do quarteto inglês, o que trazia, além de mais sucesso aos garotos de Liverpool, tornava as primeiras bandas nacionais (do que viria a ser o rock Brasil) conhecidas e famosas.

Hey Jude, muita gente no Brasil acreditava ser uma garota, afinal Judy e Jude é muito parecido para marcar uma diferença grande de sentido da letra: enquanto muita gente acreditou por anos que cantavam para uma garota triste, Paul, na verdade, cantava para animar Julian (filho de Jonh) que teria que conviver com o divórcio do pai.




 
 
 

Nosso blog já tem uma postagem considerada polêmica pela versão feita.
Essa também dá muito pano pra manga, afinal, tanto no link acima, como nesta aqui, estamos tratando de clássicos do rock mundial, em uma Bowie e em outra Beatles.

Sobre a primeira, quando foi lançada, praticamente na mesma época da postagem de hoje. Eu não fazia ideia de quem fosse David Bowie e achava que Star Man deveria ser trilha de um seriado de mesmo nome que passava no SBT.
Obrigada, Nenhum de Nós por me apresentar Bowie!
Eu cantava, sim, e muito essa versão!

E obrigada, Kiko por fazer eu acreditar na minha mãe: que sempre dizia que a música mais comprida que ela conhecia era Hey Jude dos Beatles!
E que eu só conhecia de nome, fui conhecer na versão do Kiko.
Não, minha mãe não tinha discos dos Beatles pra me apresentar...
Ah, eu também cantava muito essa música!

E, o que eu quero dizer com tudo isso?
Que por mais que se torçam narizes por essas versões, muita gente só descobre os bons músicos quando ouvem covers como as deles. Pode parecer ingênuo, outros podem achar hipócrita o que digo, mas... who cares? Eu não...

Kiko Zambianchi fez parte da geração de 1980 do rock Brasil. Saiu de Ribeirão Preto, sua cidade natal, e logo estava nas paradas com Rolam as Pedras e Primeiros Erros (que tem covers de Simony (!!) e Capital Inicial - nesta última, Kiko faz backing vocal no acústico dos brasilienses).
Outras músicas para peças de teatro - como Blecaute de Marcelo Rubens Paiva que despontava também nesse época -  temas de novelas e seriados da Globo.
Até que lança Hey Jude para a novela Top Model, da Globo (e hoje reprisada no Viva, deles também) e se torna um sucesso nacional.



 
Os videos ou eram ao vivo ou melosos... prefiri postar assim


O sucesso estrondoso não incomoda Kiko que não aceita fazer outras covers e tocar músicas mais comercias e rescindi contrato com a gravadora.
Com o período de trevas do rock nacional nos anos de 1990, Kiko continua trabalhando em trilhas para teatro e gravando Caetano e Gil, além de composições próprias.

Acabei de me lembrar que o Ira! passou por esse mesmo período de reclusão nos anos 90... não foram nenhum pouco bom para o rock nacional... como falei na postagem sobre o grupo paulista...

Momento engraçado: procurava o video com o Kiko no Youtube e muitos colocam Hey Thu ou até a música é atribuida ao Roupa Nova... e uma Hey Judge rs aí sim é triste!

Terça-feira, Maio 29, 2012

0296 - No Return - Bebel Gilberto [2002]

É curioso constatar que Something Else, um dos melhores discos da carreira do The Kinks, é também um disco menos vendido desta banda inglesa. Lançado em 1966, ano que muitos críticos musicais consideram ter sido um dos melhores do rock, seja pelo auge artístico de músicos como Jimi Hendrix ou pela produção de discos inovadores como Pet Sounds dos Beach Boys, Blonde On Blonde do Dylan ou Aftermath dos Stones, o brilho de Something Else pode ter sido ofuscado pela concorrência. Talvez, se a concorrência não fosse tão grande e a mudança para uma gravadora menor não tivesse ocorrido na mesma época de seu lançamento, Something Else poderia ter obtido melhor desempenho nas vendas. Afinal, se trata de um clássico do rock inglês; um dos primeiros a retratar com sagacidade o cotidiano da “provinciana vida na terra da Rainha”, servindo inclusive de inspiração para as gerações seguintes, como podemos ouvir em Ogdens' Nut Gone Flake (1968) do Small Faces ou em Parklife (1994) do Blur.

Alguns dos principais hits dos Kinks, como Waterloo Sunset, Death Of A Clown e a empolgante David Watts estão presente em Something Else. Mas em meio a essas canções que ironizam o diário britânico, que falam de finais de tarde as margens do Tamisa e dos típicos dias cinzentos de inverno, há ali perdida uma bela canção com um "bocado de tristeza" - parafraseando o poeta - que se parece tipicamente brasileira. Trata-se de No Return, quarta faixa do lado A de Something Else, uma composição bem “fossa” de Ray Davies com sonoridade meio bossa. (Se não soubesse de antemão que se trata de uma composição de Ray Davies, juraria ser uma composição dos Mutantes cantada em inglês...).


A afinadíssima cantora Bebel Gilberto, filha do “desafinado” João Gilberto com a cantora e compositora Miúcha, sempre gostou de misturar a eletrônica com a bossa nova. Considerada uma das precursoras na implementação da tal bossa eletrônica mundo afora, Bebel é com certeza uma artista que possui sucesso comercial e reconhecimento maiores no exterior do que dentro do Brasil. Por isto mesmo não é de se estranhar que ela tenha sido convidada para participar de This Is Where I Belong (2002), um tributo tipicamente alternativo onde participaram também artistas como Yo La Tengo, The Minus 5, Mathew Sweet entre outros tantos nomes de destaque da música alternativa, homenageando a obra de Ray Davies e dos Kinks.

No tributo, Bebel ficou responsável por dar o toque que faltava para transformar de uma vez por todas a "britanidade Daviniana" contida No Return em uma brasilidade tipicamente “Jobiniana / Gilbertiana”.

Sábado, Maio 26, 2012

Cover Playlist - As 20 melhores covers indie de Madonna

O site musical Stereogum se superou em uma lista com as 20 melhores covers de Madonna interpretadas por artistas e bandas de rock alternativo - ou simplesmente indie rock. Além de ótimas reinterpretações de canções da eterna Rainha do Pop - as popstars que vieram depois serão eternas "princesas" -, a lista do Stereogum é uma oportunidade de conhecer bandas e músicos completamente desconhecidos - a não ser que você acompanhe sites como Pitchfork, Paste e o próprio Stereogum.

Confira aqui a lista completa e ouça todas as músicas. Curiosidade: Like A Prayer aparece três vezes - na voz e piano da musa Tori Amos, no blues folk do britânico John Wesley Harding e na belíssima releitura do Lavender Diamond.

Para o 1001 Covers, selecionei as cinco covers que considerei as mais legais. Ouça abaixo!

05) Jon Auer, Beautiful Stranger (2001) - Original
A ótima canção tema do filme Austin Powers - O Agente Bond Cama (1999) ganhou uma releitura a altura do co-fundador do grupo norte-americano The Posies.

04) Lavender Diamond - Like A Prayer (2007) - Original 
A lindíssima interpretação de Becky Stark e a sonoridade folk-pop fizeram desta cover a melhor para Like A Prayer presente na lista do Stereogum.

03) Miniature Tigers - Take a Bow (2010) - Original 
Charlie Brand é um dos vocalistas mais afinados do indie pop. Por sorte, sua banda Miniature Tigers é uma das mais legais também.

02) The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs - Borderline (2009) - Original
Longe de ser fã do Flaming Lips, mas impossível não reconhecer a genialidade desta releitura capaz de levar qualquer indie rocker ao delírio.

01) Teenage Fanclub - Like A Virgin (1991) - Original
Como ignorar os riffs e a batida forte desta versão do Teenage Fanclub? Ficou a cara da banda alternativa mais amada da Escócia.

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