quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tributos ao Cure

Se gótico fosse uma religião, Robert Smith seria o guru espiritual dessa religião. O grande vocalista, compositor e líder do Cure ganhou o prêmio “Godlike Geniuses” (algo que poderia ser traduzido como Gênio como Deus) deste ano do jornal britânico especializado em música New Musical Express (NME), por sua obra e contribuição ao rock. Prêmio mais do que merecido por sinal, afinal o Cure influenciou toda uma geração e até hoje suas canções e estilo são amplamente copiados por novos artistas. Por essas e por outras, o Cure é uma das bandas que mais recebeu discos tributos. Aqui vão os 3 últimos – que temos conhecimento – lançados para deliciar (ou para desagradar) os fãs mais fervorosos da banda de Robert Smith.

Pictures Of You [2009]

Em referência ao prêmio, a NME lançou em sua edição de fevereiro de 2009 uma coletânea com 14 bandas re-interpretando os grandes clássicos da banda. Pictures Of You, começa com uma versão cheia de sintetizadores de In Between Days do Mystery Jets e termina com uma versão acústica “fofinha” de In Between Days (de novo?) gravada pela banda Get Cape. Wear Cape. Fly. Mas a coletânea não é composta só de covers de In Between Days não.  No meio do disco, é possível ouvir uma clássica cover de Just Like Heaven gravada no final da década de 80 pela banda indie americana Dinossaur Jr e uma versão mais declamada do que cantada de Catch feita pela banda Art Brut.


Just Like Heaven: A Tribute To The Cure [2009]

Lançada em Janeiro de 2009 pelo selo norte-americano American Laundromat Records, esta coletânea apresenta versões de bandas menos conhecidas se comparada com coletânea da NME. Mas nem por isso este tributo deixa a desejar. Excelentes covers podem ser encontradas aqui nas interpretações da nova safra de artistas da cena alternativa como Tanya Donelly & Dylan In The Movies, The Rosebuds, The Submarines e Julia Peel. Mas as melhores, em minha opinião, são as covers de High gravada em alta velocidade pelo Wedding Present e A Strange Day feita pela banda Grand Duchy (formado por Black Francis e sua esposa, Violet Clark).
Perfect  As Cats: A Tribute to The Cure [2008]

Lançada em 2008, Perfect As Cats possui uma levada mais eletrônica do que os tributos citados anteriormente. Nesta coletânea dupla, 34 artistas se dispuseram a gravar covers utilizando muito bem a tecnologia a seu favor. Como é o caso da cover de Why Can't I Be You feita pelo grupo We Are The World, que possui uma levada funkeada combinada a beat eletrônicos. São raros momentos onde um banquinho e o violão se fazem presentes no disco. Num desses momentos, a jovem cantora Mariee Sioux manda uma versão "fletwoodmaquiana" para Lovesong.
(myspace -  Perfect As Cats)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

0086 - Catch The Sun - Jamie Cullum [2005]

Uma das bandas britânicas mais importantes desta década que chega ao fim, o Doves foi formado em Manchester no ano de 1998. Aliás, a cidade natal do trio constituído pelos irmãos Jez (guitarra e vocal) e Andy Williams (bateria e vocal), além de Jimi Goodwin (baixo, guitarra e vocal), já trouxe ao mundo bandas importantes como Joy Division, The Smiths e Oasis. Conhecida pela melancolia e tristeza de suas letras e músicas, o Doves escolheu Catch The Sun para ser o segundo single de seu álbum de estreia, Lost Souls (2000). Essa ótima balada rocker fala sobre sentir a falta de alguém mesmo conhecendo tão bem seus defeitos.  



Quem decidiu gravar o cover de Catch The Sun foi o também britânico Jamie Cullum. O jovem cantor, que atualmente tem 30 anos de idade, lançou sua versão jazz-pop da música no álbum Catching Tales (2005). Aliás, foi durante a turnê deste trabalho que o artista esteve no Brasil, em 2006. Com a voz doce, Cullum deixa um pouco de lado a influência do jazz nesse cover, revelando uma faceta mais pop nas batidas e até nos solos de piano. Talvez ele estivesse com receio de transformar Catch The Sun em uma canção de jazz nos moldes das composições de Cole Porter - o que é uma pena.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

0085 - Stand by Me - John Lennon [1975]

Esse é um caso clássico de cover que fica mais famoso que a gravação original; aliás, muita gente não sabe que "Stand by me" não é de autoria do ex-Beatle John Lennon.

Ben E. King
, cantor e compositor norte-americano de soul music, compôs "Stand by me" para a sua banda The Drifters, e a canção por pouco não foi gravada. Lançada como single pelo cantor em 1961, só veio a fazer parte de um álbum 2 anos depois, sendo a 7ª faixa de "Don´t play that song!", álbum solo de King. Ganhou o número 1 no R&B´s Chart britânico em 1961 e número 4 em 1986, quando foi tema do filme de mesmo nome (no Brasil, "Conta comigo"). E mais uma vez nas paradas de sucesso em 1987 quando foi tema de uma campanha da Levi´s.

"Stand by me" está na posição 121 do ranking das "500 Maiores Canções de Todos os Tempos" da Rolling Stone.



John Lennon foi assassinado no final de 1980, e eu tinha 3 anos de idade. Não me lembro claramente das notícias de sua morte, mas me lembro de ver cenas e ouvir músicas do cantor na tv e devo ter perguntado pra minha mãe a respeito daquele moço de óculos de quem as pessoas gostavam tanto. O que me marcou mais, alguns anos depois, foi uma campanha na tv, não sei ao certo se era contra as drogas, ou violência... sei que mostrava um clipe de John cantando "Stand by me" ao violão. Essa foi certamente uma das minhas primeiras referências à sua carreira e o começo de minha admiração.

Lennon gravou "Stand by me" em seu álbum "Rock´n Roll", de 1975 - um álbum só de covers de canções rock originalmente lançadas entre o final da década de 1950 e começo da de 1960. Essa bela e emocionante canção de amor ganha aqui ares um pouco mais rock, sem perder sua essência, ao contrário, se tornando inesquecível.



***
Bônus - "Stand by me" - Playing for Change [2009]

Vale a pena dar uma olhada nessa versão de "Stand by me" do projeto Playing for Change, que registra músicos de rua de várias partes do mundo interpretando canções com mensagens de amor, paz e tolerância. Veja reportagem a respeito (link) e o site oficial do projeto (link). Emocionante.




domingo, 6 de dezembro de 2009

ABBAMetal: A Tribute to ABBA

Muita gente faz cover do ABBA, muitos os acham breguíssimos...
Há uma infinidade de covers deles, mas eu considero esse álbum o mais inusitado e que merece ter um espaço aqui.

Um dia, estava eu na casa de um casal de amigos num aniversário. Até aí, normal... amigos que gostam de heavy metal, death metal, punk rock muita gente tem. E o melhor de ir num churrasco de amigos com este gosto musical é não ouvir pagode, axé e afins do fim do mundo...
Entre uma música e outra que colocaram (Alice Cooper, AC/DC, The Beatles - por que não? -, Therion etc) aparece uma coisa extremamente surpreendente, para se achar até um pouco de graça...
Ouvir ABBA versão death metal é engraçadíssimo... pelo menos pra mim, a experiência foi divertida rs

A Tribute to ABBA foi lançado em 2001 na Alemanha, só com bandas de heavy metal e punk rock.
No Japão o álbum saiu com o nome de ABBAmetal: a tribute to ABBA.

Tracklist:
1. Summer Night City - Therion
2. Thank You for the Music - Metalium
3. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight) - Sinergy
4. Money, Money, Money - At Vance
5. Voulez-Vous - Morgana Lefay
6. SOS - Paradox
7. Take a Chance on Me - Rough Silk (with Anke Hansen)
8. Chiquitita - Spiral Tower
9. Eagle - Sargent Fury
10. One of Us - Flowing Tears
11. Waterloo - Nation
12. Super Trouper - Custard
13. Knowing Me, Knowing You - Tad Morose
14. Dancing Queen - Glow
bonus tracks:
15. Lay All Your Love on Me - Halloween
16. The Winner Takes It All - At Vance

Ouçam e me digam o que acharam! Vale a pena para "abrir a mente". rs

0084 - It's My Life - No Doubt [2003]

Quem nunca ouviu falar do Talk Talk com certeza conhece a música mais famosa do grupo londrino: It's My Life. A canção teve um bom desempenho nas paradas de 1984, conseguindo seu maior feito nas rádios italianas, com a 7ª posição. It's My Life é um típico exemplo do movimento new wave da década de 1980, com teclados e batidas dançantes que fizeram muita gente mexer o esqueleto em nightclubs do mundo inteiro. O Talk Talk durou dez anos (1981-1991) e foi homenageado com o cover de um grupo famoso pelo estilo visual e musical...



...chamado No Doubt. Com uma garota de muita atitude nos vocais, o No Doubt investe no ecletismo de gêneros como ska, punk, reggae, pop e new wave. Formado oficialmente por Gwen Steffani, Tony Kanal, Adrian Young e Tom Dumont, o grupo californiano decidiu gravar sua versão de It's My Life em 2003 para a coletânea The Singles 1992–2003. Famoso também ficou o clipe da música, embora os brasileiros já tenham sido brindados com o video de história parecida dos Paralamas do Sucesso, o sensacional Ela Disse Adeus, de 1998.
Falando do cover para o sucesso do Talk Talk, é uma das melhores coisas que o No Doubt já fez. Tem um ritmo que contagia, com acentuada linha de baixo e uma sonoridade mais rocker - além do competente timbre de Steffani.





sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

0083 - Wild Thing - Jimi Hendrix [1967]

Mais um caso de música que ficou para a posteridade por meio de covers.

Originalmente, Wild Thing foi gravada originalmente por The Wild Ones, em 1963. Fato que, confesso, só fui saber há menos de dois minutos, quando resolvi fazer uma pesquisa antes de começar a escrever este post The Troggs (aliás, alguém conhece essa versão?). Até então, para mim, a versão original era a gravada por , em 1966, quando chegou aos topo da parada americana Bilboard Top 100.

Então vamos assumir esta última como versão original, combinado??




Mas, na minha modesta opinião, a coisa esquentou mesmo quando foi adicionado o fator Hendrix. Trata-se de uma música absurdamente simples em seus três acordes, mas a interpretação incendiária (literalmente) do negão no festival Monterey Pop, em 1967, mesmo sem nenhuma mudança em sua estrutura básica, simplesmente cravou a música de vez no panteão do rock.
Então, por isso, minha escolha desta versão como a definitiva.

Ainda em dúvida? Então durmam com um barulho desses:





E já que tem se falado tanto de Mr. Blue Eyes por aqui, atentem para o detalhe da citação incidental de Strangers in the Night no início do primeiro solo. Mais inusitado impossível.

Definitivamente, eram tempos loucos aqueles...

domingo, 29 de novembro de 2009

0082 - My Way - Sid Vicious [1978]

Estou para escrever esse post faz tempo, mas agora que o Persiolino falou sobre Frank Sinatra achei a melhor oportunidade.

My Way é uma das grandes canções do ator e cantor Frank Sinatra. Famoso principalmente por trabalhar na época dos musicais de Hollywood, teve uma carreira áurea principalmente nas décadas de 40/50 e começo de 60.

Se olhararem a "filmografia" no imbd , verão que ele chegava a fazer até 4 filmes por ano! Além de verem que até hoje suas músicas fazem parte de trilhas sonoras. Ele pode ser considerado um dos clássicos da música americana, no estilo meio jazzístico ou seja lá onde ele se encaixa... eu não sei... muitos vão dizer que é música pra terceira idade... mas não sou eu quem rotula estilos musicais, nem quero! O certo é que a influência musical dele é inegável e todo mundo conhece pelo menos uma que ele cantou (New York, New York?) ou deve conhecer a gafe mais famosa dele: nos anos 80, ele veio fazer shows no Brasil e disse que nossa capital era Buenos Aires - seria mais bonita rs



No final da década de 70, o punk era o som da juventude, diferente da geração dos pais dessa "molecada" que escutaram muito Mr. Sinatra.

Uma das bandas mais famosas é sem dúvida The Sex Pistols. Muitas brigas internas e externas, muitas encrencas com a imprensa culminaram com o fim da banda. Sid Vicious, "baixista" dos Pistols, e o nosso garoto da capa do blog rs, resolveu partir em carreira solo - das mais decadentes... ou seria das mais efêmeras?

Para tentar emplacar um sucesso logo de cara, Vicious fez essa cover, a qual eu considero um escracho total, da música My Way do tio Frank Sinatra. Até video da música foi feito:



Há outra versão, a do filme "Sid and Nancy (O amor mata - 1986)" com o maravilhoso Gary Oldman (que eu tenho muito orgulho de fazer aniversário no mesmo dia que ele rs) interpretando Sid e talvez ajude-nos a entender como foi a época e a vida de Vicious...Será muito diferente de Sinatra?



Ah, quem canta essa é o próprio Oldman.

His Way, Our Way

His Way, Our Way é o nome do disco virtual lançado pelo iTunes contendo somente re-interpretações feitas por artistas/bandas contemporâneas para canções que foram eternizadas pela voz de Frank Sinatra. Lançado em julho deste ano, o disco não possui previsão de lançamento em formato convencional (leia-se CD ou LP).

Re-interpretar hits de Frank Sinatra não é uma idéia inovadora. Há alguns meses publiquei aqui mesmo uma cover de New York gravada pela cantora Cat Power. E, para quem não sabe ou não se recorda, até o Skank já fez uma cover de Let Me Try Again, gravada por Sinatra nos anos 60, presente no primeiro disco da banda mineira.

His Way, Our Way é um disco mediano. E, como em todo disco mediano, nem tudo é de se jogar no lixo. Vale a pena dar uma conferida na versão “balada romântica” de Fly Me To The Moon feita pelo cantor Joshua Radin e na interpretação conservadora do Maroon 5 para a clássica The Way You Look Tonight. Mas fuja, se sua curiosidade permitir, da cover de Strangers In The Night feita pela banda californiana The Morning Benders. Resumidamente, acredito que Frank Sinatra merecia uma homenagem melhor do que esta.

Tracklist:
01. The Way You Look Tonight - Maroon 5
02. One For My Baby (And One More For the Road) - John Rich
03. The Things We Did Last Summer - A Fine Frenzy
04. Stormy Weather - The Kooks
05. Fly Me To The Moon (In Other Words) - Josh Radin
06. I'll Never Smile Again - Priscilla Ahn
07. I've Got You Under My Skin - Seether
08. Something Stupid - The Fashion
09. London By Night - Greg Laswell
10. Strangers In The Night - The Morning Benders
11. All Of Me - Meiko
12. The Impossible Dream (The Quest) - Republic Tigers
13. Willow Weep For Me - The Kills
 
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